Quando vamos saber a alíquota da CBS para 2027? — Moreira & Guimarães Advogados
Pílula Jurídica #9 Reforma Tributária · CBS · IS RFB · TCU · Senado Provável definição · pós-eleições
★ A pílula da semana

Quando vamos saber a alíquota da CBS para 2027? Provavelmente, após as eleições.

A premissa da Reforma é simples — e técnica: manter a carga tributária dos tributos substituídos (PIS, COFINS e IPI) por meio dos novos tributos (CBS e Imposto Seletivo). A Receita Federal calcula, o TCU revisa, o Senado aprova. Mas dados incompletos, o Imposto Seletivo ainda sem projeto e as alterações pela LC nº 227 deixam a alíquota da CBS em aberto — e o calendário, sensível, em ano eleitoral.

RFB · TCU · Senado Fluxo de aprovação
Setembro/2026 Prazo para o PL do Imposto Seletivo
Vigência · 2027 Alíquota referencial inicial

Manter a carga — não aumentar, não reduzir.

O desenho da Reforma parte de uma equação de equivalência: os tributos substituídos saem; CBS e Imposto Seletivo entram em seu lugar. A meta declarada é a neutralidade da carga, e a alíquota da CBS é o parafuso que mantém o equilíbrio.

★ TRIBUTOS SUBSTITUÍDOS
PIS + COFINS + IPI
Carga histórica · base de cálculo
=Equivalência
★ NOVOS TRIBUTOS · FEDERAL
CBS + Imp. Seletivo
Carga futura · meta de neutralidade
A carga de referência não é de um único ano. A meta de manutenção considera um intervalo plurianual. Isso suaviza ajustes pontuais — e diminui a pressão de “cravar” a alíquota perfeita já no ano 1 da Reforma.

RFB calcula. TCU revisa. Senado aprova.

O procedimento de fixação da alíquota referencial da CBS acaba de ser regulamentado. São três paradas obrigatórias entre o cálculo técnico e a aprovação política — e cada uma deixa sua marca.

01
★ RECEITA FEDERAL
O cálculo técnico

A RFB tem o dever de enviar ao TCU o cálculo da alíquota da CBS necessária para manter a carga tributária dos tributos substituídos em 2027.

02
★ TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO
A revisão dos cálculos

O TCU revisa o cálculo e encaminha ao Senado Federal, conforme o procedimento que acaba de ser regulamentado.

03
★ SENADO FEDERAL
A aprovação política

O Senado aprova a alíquota referencial, fechando o procedimento e dando segurança jurídica ao parafuso central da Reforma.

Por que ainda não dá para cravar a alíquota.

A conta da CBS depende de dados, de um projeto de lei, de uma lei complementar recém-editada e da maturidade do próprio modelo de arrecadação. Em cada uma dessas frentes há fricção real.

01
Base de cálculo incompleta

Os dados para fazer a conta ainda não estão completos

O ponto de partida são os dados de PIS e COFINS. Mas muitos setores ainda não emitem documento fiscal eletrônico e passarão a emitir — o que ampliará a base da CBS e mexerá com a calibragem da alíquota.

Imóveis Setores regulados Plataformas digitais
02
Imposto Seletivo pendente

O PL do Imposto Seletivo ainda não foi divulgado

Para que vigore em 2027, o Executivo precisa enviar e o Congresso aprovar o PL até o final de setembro — sob pena das anterioridades nonagesimal e anual. Sem isso, entra-se em 2027 com perda relevante de arrecadação do IPI, a ser compensada por alíquota maior de CBS — e setores tradicionalmente tributados pesado (cigarro, bebida alcoólica) acabariam menos tributados.

★ DEADLINE · final de setembro/2026
03
Alterações pela LC 227

A LC nº 227 ampliou os regimes diferenciados

As mudanças trazidas pela LC nº 227 à LC nº 214 pressionam a alíquota da CBS — um pouco — para cima. Novos itens foram incluídos nos regimes diferenciados, retirando-os da base regular e exigindo recomposição da carga sobre o restante.

04
Hiato no varejo

O Split Payment avança no B2B — mas o varejo ainda está fora

O Split Payment, somado ao Recolhimento pelo Adquirente (RAD) e à regra do crédito vinculado ao pagamento do débito, está reduzindo o hiato de conformidade e resolvendo inadimplência e fraudes nas operações entre contribuintes do regime regular. No B2C, no entanto, ainda não há split — e o risco de informalidade persiste.

B2B em maturação. B2C ainda em aberto.

O modelo de retenção automática ganhou escala em operações entre contribuintes do regime regular. No varejo, o desenho operacional ainda não está fechado — e isso é parte da equação que pressiona a alíquota.

★ B2B · operações entre contribuintes

Conformidade em curva ascendente

A combinação entre Split Payment, RAD e crédito vinculado ao pagamento resolveu a maior parte do problema de inadimplência e de fraudes em operações entre contribuintes do regime regular. Já há redução perceptível no hiato de conformidade.

Split Paymentv
Recolhimento pelo Adquirente (RAD)v
Crédito vinculado ao pagamento do débitov
★ B2C · varejo ao consumidor final

Ponto aberto · pressão sobre a calibragem

O varejo ainda não tem Split Payment. O risco de informalidade persiste no B2C, e qualquer estimativa de arrecadação precisa considerar essa lacuna na curva de conformidade — o que naturalmente pressiona a alíquota referencial.

Split Payment no varejo!
Mitigadores específicos para B2C!
Risco de informalidade!

A Reforma já previu o erro de calibragem.

Não é razoável esperar que a alíquota saia perfeita em 2027. O desenho institucional incorporou mecanismos de correção que reduzem o peso de eventuais erros de calibragem.

★ MITIGADOR 01 · AJUSTE ANUAL

Qualquer erro na alíquota, para cima ou para baixo, será compensado nos anos seguintes

O modelo prevê ajuste anual da alíquota, com correção das distorções verificadas no ano anterior. A consequência prática é a estabilização progressiva — e a redução do prêmio de risco que mercados costumam embutir em definições pontuais.

★ MITIGADOR 02 · JANELA PLURIANUAL

A carga tributária a ser mantida considera vários anos, não um ano de cada vez

A neutralidade não é medida exercício a exercício, mas em intervalo plurianual. Isso suaviza eventuais distorções de um ano específico e diminui a pressão de cravar a alíquota perfeita logo no ano 1 da Reforma.

Hora de negociar preços líquidos de tributos.

★ A VIRADA CONTRATUAL QUE A REFORMA EXIGE

As empresas precisarão conviver com a incerteza da alíquota até o final do ano — e depois com uma alíquota que vai variar ano a ano, até estabilizar.

Isso reforça a importância de as empresas revisarem seus contratos e passarem a negociar os preços líquidos de tributos. No B2B, qualquer ajuste posterior na alíquota ajustará o crédito do comprador — e a operação se reequilibra. No varejo, a dor é maior: alterações na alíquota impactam os preços ao consumidor final.

É um tema sensível e, em ano eleitoral, ganha contornos políticos que extrapolam a técnica fiscal. Antecipar a virada contratual é proteger margem, planejamento e relação comercial.

Migrar para preços líquidos de tributos não é só prudência — é a única forma de proteger a margem em um ambiente em que a alíquota será móvel até estabilizar.
Atuação em Reforma Tributária · CBS · Imposto Seletivo · contratos

Seus contratos ainda trabalham com preços brutos? A alíquota da CBS pode mudar isso.

Revisão contratual com cláusulas de neutralidade tributária, mapeamento dos regimes diferenciados aplicáveis, simulação de cenários de alíquota e desenho de política de precificação líquida — antes que a alíquota referencial seja fixada.

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Aviso técnico. Este texto integra a série editorial Pílulas Jurídicas — natureza informativa e jornalística-jurídica, em conformidade com o Provimento nº 205/2021 do Conselho Federal da OAB. Sintetiza o cenário do cálculo da alíquota referencial da CBS no contexto da Reforma Tributária do consumo (IBS, CBS e Imposto Seletivo), com referência à LC nº 214/2025, às alterações trazidas pela LC nº 227 e ao procedimento de fixação da alíquota envolvendo Receita Federal, Tribunal de Contas da União e Senado Federal. As implicações práticas refletem a interpretação editorial do escritório e não constituem aconselhamento individualizado — situações concretas demandam análise técnica específica. Tags: #PílulasJurídicas #ReformaTributária #CBS #IBS #ImpostoSeletivo #SplitPayment #PreçosLíquidos #JurídicoEstratégico.
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